Quem eram os verdadeiros donos das terras onde está Pinheirinho
Escrito por Redação
Confira esta noticia de 1 de julho de 1969
O Campo dos Alemães é um bairro localizado na zona sul da cidade de São José dos Campos, estado de São Paulo. O maior bairro da cidade, foi fundado a partir de uma fazenda antigamente denominada Chacara Régio, que pertencia a Familia Kubitzky. Seus donos se chamavam Hermann, Artur, Erma e Frida. Nesta fazenda se produziam hortifrutigranjeiros e ovos que eram vendidos nas quitandas da região.
Porém esta família de imigrantes alemães, foi brutalmente assassinada em meados do ano de 1969. A área ficou sem herdeiros, pois seus donos eram bem idosos e solteiros (Arthur por exemplo na época de sua morte tinha 77 anos).
Como eles não tinham herdeiros o terreno passou (a princípio) para as mãos do Estado, mas.... eis que surge Naji Nahas. Coincidentemente no inicio do auge da repressão do periodo da ditadura.
Naji Robert Nahas é um especulador, atuando como comitente de grande porte na área de investimentos e especulação financeira. Brasileiro nascido no Líbano, chegou ao Brasil no começo da década de 1970 com cinqüenta milhões de dólares - segundo suas próprias declarações - para investir e montou um conglomerado de empresas que incluía fábricas, fazendas de produção de coelhos, banco, seguradora e outros. Tornou-se nacionalmente conhecido depois de ter sido acusado como responsável pela quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 1989.
Pelo visto Naji Nahas já chegou no Brasil metendo o pé na porta dos outros e no auge da ditadura.
Foi grilagem? Até agora Naji Nahas não apresentou nenhum documento confirmando a posse do terreno. O Governo de São paulo - nas mãos do PSDB - aceitou o terreno, que se dizia fazer parte da massa falida da empresa Selecta, como garantia sem checar os documentos. Para esclarecer esta questão e lançar luz sobre o processo de concentração da propriedade urbana, pode-se tirar a certidão de cinquenta anos do imóvel para ver seu histórico.
Por outro lado, os moradores de Pinheirinho, ocupando a área há mais de cinco anos tem direito ao usucapião.
Como é que fica esta situação agora?
Quem é que a prefeitura e o governo do PSDB está tentando acobertar enquanto criminalizam o movimento social e praticam a especulação imobiliária?
Estado e Justiça
A foto ao lado é do Juiz estadual Rodrigo Capez que foi, pessoalmente, em Pinheirinho acompanhar a reintegração de posse em favor de Naji Nahas, expulsando os moradores e defendendo a força policial. A presença dele teve uma única finalidade: impedir que qualquer ação da justiça federal suspendesse a ação policial, como já havia acontecido antes.
Neste sentido, é importante rememorarmos Michel Foucault quando fala das funções policiais do juiz. O juiz serve para, no fundo, fazer a policia funcionar. A justiça só é feita para registrar no nivel oficial, ao nivel legal e ritual também. São controles de normalização. A justiça está a serviço da policia. A policia foi constituida pelo Estado para fazer cumprir aquilo que o Estado quer. O juiz, portanto, normatiza e ritualiza esta função servindo, portanto, a policia.
O juiz foi a Pinheirinho, portanto, para trabalhar para a policia. Foi lá para servir à policia.
Pinheirinho é uma lição viva, atual, clara e nítica do caráter do Estado brasileiro e em especial da organização conservadora e anti-social do Estado paulista e de seus governantes.
Alguém tem dúvida de que lado está a justiça desse país, para que e quem serve: ao invés de defender o direito constitucional a moradia vai defender e se colocar a serviço da policia e das forças de repressão.
Justiça e remuneração
Mas, não vamos nos iludir considerando apenas o aspecto ideológico da Justiça no pais. Esta é uma batalha de muito longo prazo para ser travada. Vamos ao aqui e agora.
O juiz Rodrigo Capez não foi lá apenas para servir e 'proteger' a policia de outros recursos que visavam impedir a chamada 'reintegração de posse' do terreno de um milhão de metros quadrados. Nem foi apenas para garantir o pagamento de R$ 10 milhões de reais, que seria a dívida da empresa Selecta de Naji Nahas.
Se dividirmos R$ 10 milhões por entre 6 a 8 mil moradores, daria uma dívida de cerca de R$ 1.200,00 a R$ 1.600,00 por morador. Esta divida fica solucionada com um bom plano e proposta política. Melhor ainda se contarmos com um pouco de ajuda do BNDES - que afinal, não precisa apostar todas as fichas nas grandes empresas e investir excessivamente fora do pais, criando empregos no exteriror. Fica claro que esta divida é irrisória para a sociedade e plenamente 'pagável' pelos ocupantes.
Então, temos que questionar o que move o PSDB e a justiça paulista para montar esta mega-operação de despejo, com todos os seus custos diretos, os prejuizos para os ocupantes e um evidente prejuizo eleitoral para o Tucanato?
Evidente que não é o valor da dívida, mas sim, o valor do terreno de um milhão de metros quadrados e a consequente especulação imobiliária onde as prefeituras se locupletam e desviam os recursos das cidades. Se for levada em consideração apenas a divida, teremos um valor de R$ 10.00 por metro quadrado que se obtem dividindo R$ 10 (dez) milhões por 1 (um) milhão de metros quadrados. A área de um apartamento pequeno de 50 metros quadrados, custaria R$ 500.00. Fica claro que o que está em jogo não é a divida.
Para um advogado que já negociou seus 'honorários' - normalmente de 20 % - o que ele quer é receber este valor muito maior, não importa os custos sociais. Este valor muito maior, o valor do terreno, pode chegar, segundo algumas avaliações, até a R$ 170 milhões. E se contabilizarmos as contruções que serão feitas, este valor vai ficar incomensuràvelmente maior. Assim sendo, a 'causa' se torna extremamente apetitosa para a ganância da especulação imobiliária alojada na prefeitura e no judiciário. Claro que a Justiça - os tribunais - também vão receber sua parte do botim de guerra contra as populações de baixa renda.
Esta justiça, junto com o PSDB, não pensa pouco ($$$$) nem pensa pequeno: eles querem TUDO, absolutamente TUDO, e não querem nenhum compromisso social. Não se importam com a concentração imobiliária e os confilitos que naturalmente irão aumentar. O caminho para se safarem de acusações e de responsabilizações é um só: criminalizar e judicializar o movimento social.
Afinal, já está em tempo de se criar uma CPI do Judiciário!

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Pinheirinho, outro-ladismo e neojornalismo; os mortos e a massa falida
Às vezes se tem a impressão de que os idiotas são mesmo maioria nas redes, o que não é impossível em razão da lógica elementar, não é mesmo? Os cretinóides agora deram para espalhar que os pobrezinhos foram tirados do Pinheirinho para devolver a área a Naji Nahas… Tenham paciência.
O equívoco tem origem. Ontem, a EBC, a empresa dirigida por Nelson Breve, teve o desplante de dar voz a um sujeito identificado como presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São José — na verdade, é advogado de uma associação de invasores —, segundo quem a operação havia resultado em vários mortos. O nome do rapaz é Aristeu César Pinto Neto. Afirmou: "O proprietário é um notório devedor de impostos, notório especulador, proibido de atuar nas bolsas de valores de 40 países. Só aqui ele é tratado tão bem".
É o fim da picada! O terreno não pertence mais a Naji Nahas, mas à massa falida da Selecta, e entra, portanto, na composição do patrimônio que será usado para saldar as dívidas da empresa, inclusive as trabalhistas. Quem tem a posse da área não é Nahas. A propósito: quem teria mais direito ao patrimônio que já foi de Nahas? Os que vão chegando e vão ficando ou aqueles a quem ele deve.
Neojornalismo
É que o "neojornalismo companheiro", convertido em mero "outro-ladismo", agora é assim: "Fulano diz que houve mortos; Beltrano nega", como se haver mortos ou não fosse uma questão de opinião. "Fulano diz que o terreno vai voltar para Nahas; Beltrano nega", como se também isso fosse questão de opinião. "Fulano diz que a Polícia Militar era obrigada a executar a reintegração de posse; Beltrano nega", como se fosse questão de opinião."Jornalistas", no Brasil — e, acreditem, deste modo estúpido só está acontecendo por aqui — agora se tornaram meros repetidores do diz-que-diz-que das redes sociais. Haver ou não mortos numa operação se iguala a saber, afinal, quem era a Luíza que estava no Canadá…
Estamos diante de uma perda de norte. Até anteontem, o procedimento correto e óbvio, antes de dar curso ao boato, era este: "Precisamos verificar se isso aconteceu mesmo ou não". Os imbecis influentes mudaram o procedimento: "Vamos noticiar que estão dizendo isso; se não aconteceu, aí a gente desmente". Foi o que fizeram o Terra e o UOL. Deram curso à mentira do Aristeu e escreveram depois: "Polícia nega que haja mortos". Mas houve ou não houve?
Os grandes veículos estão sem norte, mas não os fascistóides contratados por um partido político para espalhar a mentira: exercem um trabalho orientado e remunerado.
Por Reinaldo Azevedo.__._,_.___
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